Quero começar este texto com um versículo que sempre me atravessa no peito diante de cada fase de cansaço na caminhada: "E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos se não desanimarmos." (Gálatas 6:9)
Decidir responder ao chamado de Deus, mesmo quando tudo em volta diz para dizer não, é uma das maiores provas de fé que conheço. Lembro claramente de quando deixei meu emprego estável como professora para seguir minha convicção: escrever. Os medos foram muitos. Não só pelo incerto financeiro, mas por duvidar se estava ouvindo Deus da maneira certa, se não estava confundindo desejo com propósito. O medo do fracasso e o decepamento de um futuro previsível caminharam ao meu lado nesse início.
O que eu mais ouvia era: "E se não der certo? E se for só ilusão?" Só que ficar parada, ignorando o chamado que queimava por dentro, parecia ainda mais perigoso, mais dolorido. Não era mais possível ser a mesma de antes, como se nada tivesse acontecido.
Nesse primeiro ano de transição, muita coisa se misturou. Tive conquistas que mal consegui acreditar: ganhei um prêmio numa conferência de escrita, assinei contrato com um agente literário. Mas as decepções também chegaram: quinze editoras rejeitaram meu original por falta de audiência e vivi frustrações como eventos virtuais em que, literalmente, ninguém apareceu. Sim, nem uma alma. É real.
No meio disso, vi o número das redes crescendo, o blog engajando, a lista de emails dobrando, mas também percebi que, enquanto tentava aprimorar minha escrita, perdi um pouco da alegria e naturalidade iniciais. Vieram orações choradas, sensação de desgaste, perguntas sem resposta, vontade de desistir. Mesmo nos dias de pequenas vitórias, as vozes de desânimo insistiam.
Com honestidade, digo: foram nesses dias escuros que o Espírito Santo me conduziu para três aprendizados que carrego comigo até hoje. Se você também está caminhando com fé, mesmo cansada, deixe-me dividir essas lições que brotaram, muitas vezes, das mesmas lágrimas que derramei.

1. O chamado de semear e confiar na colheita
Aprendi nesse percurso que Deus me chamou para semear, não para controlar a colheita. É fácil esquecer isso quando queremos resultados rápidos. Cito sempre em minhas orações e textos a cena do agricultor: ele planta, rega, faz sua parte, mas há algo sobre o crescimento que não compete a ele. A colheita depende de fatores além do seu alcance – chuva, pragas, clima.
Assim é o nosso chamado. Deus não pede que tenhamos todas as respostas. Ele nos chama para ouvir e obedecer, ainda que o processo nos escape das mãos. O agricultor não pode prever nem afastar as tempestades, mas continua semeando.
É por isso que versículos como 1 Coríntios 3:5-9 e 2 Coríntios 9:6 fazem tanto sentido: “Quem planta e quem rega são um só, mas é Deus quem faz crescer.” No meu caso, por mais que eu estudasse técnicas, investisse em cursos e buscasse novas conexões, tão pouco do “crescimento” estava sob meu controle. Meu papel era ser fiel ao plantio diário, e deixar os resultados nas mãos de Deus.
Esses pequenos plantios – por vezes invisíveis – são respostas de obediência que ninguém vê. Mas cada semente lançada, cada texto escrito sem saber quem leria, cada oração no silêncio do quarto faz parte dessa jornada. E em "Virtuosa", tanto o livro quanto a jornada, dou lugar para Deus construir algo novo em mim e na vida de outras mulheres, pois a identidade no Senhor é o solo fértil de todas as sementes boas.
2. Viver de mãos abertas: entregar sonhos e aceitar mudanças
Ninguém me avisou que dizer sim ao chamado seria um exercício constante de abrir mão. Entregar sonhos, objetivos, expectativas – isso dói. Vivi o processo de enviar meu livro para editoras no Brasil inteiro. Fui rejeitada quinze vezes. Restava uma editora, aquela “última esperança”, e o tempo de espera me ensinou a soltar o controle. Não há garantia humana de que o sonho será reconhecido ou realizado exatamente como projetamos.
Caminhar por fé implica confiar que o plano de Deus pode ser diferente do nosso, e ainda assim é bom. Tenho Romanos 8:28 gravado nas minhas orações: “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam.” E me apoio no que está escrito em Efésios 3:20 e Salmo 138:8.
Entender isso me ajudou nos momentos em que os planos mudaram sem aviso prévio, nas portas que se fecharam de repente, nos nãos que eu não queria ouvir. E sabe o que mais? Foi aí que percebi que viver de mãos abertas me deu leveza, que não tenho que carregar tudo sozinha. O legado se constrói na entrega e não só na realização.

Essas renúncias, essas lutas, moldaram "Virtuosa" e fazem parte do que ofereço no projeto Wanessa Nery Guedes: recursos, reflexões e apoio para mulheres que estão cansadas de viver presas a expectativas, mas desejam compreender a força de confiar em Deus de verdade.
3. Esperar com esperança mesmo diante do cansaço
Talvez a menor das sementes seja justamente perseverar quando tudo parece estagnado. E, para mim, o que sustenta essa perseverança é manter viva a expectativa de que o Senhor vê, ouve, conhece – e recompensa corações fiéis.
Davi, em Salmo 5:1-3, coloca seus pedidos diante de Deus a cada manhã e espera, com esperança, pela resposta. Em tantos momentos de exaustão, abracei essa prática: orar, contar minhas dores, e esperar no Senhor, mesmo sem ver sinais concretos. Sei que não estou só nesse sentimento. Quantas de nós, de joelhos, buscamos sentido para os desafios de hoje?
O resultado não está na minha força. Está em continuar fazendo o bem, mesmo no cansaço. O meu chamado é ser fiel, não famosa. Deus age no segredo, muitas vezes quando já pensamos ter passado da nossa estação.
Nesse processo, encontrei ecos do que ensino e vivo no projeto Wanessa Nery Guedes: você não é menos cristã por sentir ansiedade, medo ou exaustão. É possível amar a Jesus e ainda lutar com questões de saúde mental. Por isso, no site disponibilizo, junto a devocionais, dicas de livros, podcasts, vídeos, inclusive recursos gratuitos de fé e saúde emocional, para jovens cristãs que sentem essa batalha diária.

Conclusão: Tudo tem valor, tudo será colheita
O chamado não evita a dor, não traz atalhos para quem caminha por fé. Às vezes, tudo o que você vai ter é a certeza de estar firme naquele que te chamou. Ficar parada é mais perigoso do que continuar, mesmo cansada. Acredito de todo coração: sua entrega, sua perseverança, sua coragem de continuar plantando, mesmo em dias escuros, vão germinar algo abundante – no tempo de Deus, não no seu.
Continue. Faça o bem. Entregue o que não pode controlar. Espere pelas respostas de Deus com esperança. E se precisar de companhia e recursos para fortalecer fé e identidade, busque conhecer os materiais e o acolhimento disponível por meio do projeto Wanessa Nery Guedes. Afinal, tudo o que semeamos com amor, fedeleidade e propósito, trará frutos eternos.
Perguntas frequentes
O que significa Gálatas 6:9?
Gálatas 6:9 nos ensina sobre perseverança e confiança. Ele encoraja a não desistir de fazer o bem, mesmo quando nos sentimos cansadas ou desanimadas, pois, no tempo certo, colheremos se não pararmos pelo caminho. Esta promessa nos lembra que o esforço dedicado com fé sempre encontra recompensa em Deus, mesmo que o resultado demore ou seja diferente do que esperamos.
Como aplicar Gálatas 6:9 na vida?
Colocar Gálatas 6:9 em prática é agir diariamente com propósito, fazendo o bem em pequenos e grandes gestos, sem buscar aprovação imediata ou recompensa dos outros. Significa ser fiel ao que Deus te confiou, mesmo quando ninguém está vendo e mesmo que os resultados tardem a chegar. Em minha experiência, é plantar sementes na vida das pessoas, cultivar virtudes e confiar que o tempo da colheita quem determina é Deus, não a nossa ansiedade.
Como não desistir do chamado?
Não desistir do chamado envolve lembrar todos os dias de quem te chamou, confiar que Deus olha cada semente e acolhe cada lágrima. Traga à memória conquistas, testemunhos e as razões que te levaram a dizer sim no início. Cerque-se de pessoas e recursos que te levantem quando desanimar – uma boa leitura, uma palavra de fé, um devocional como "Virtuosa". Orar, compartilhar suas lutas e aceitar que dúvidas fazem parte do processo também são caminhos para permanecer.
Quais são as lições de Gálatas 6:9?
As três lições principais desse versículo são:
- Persistir no bem independentemente do reconhecimento imediato;
- Entender que as recompensas de Deus vêm no tempo certo, e não no nosso;
- Confiar que cada etapa – inclusive a espera, o cansaço e a dor – contribui para uma colheita maior além do que conseguimos imaginar.
Por que persistir é importante na fé?
Persistir é um sinal de confiança em Deus, não em nossas capacidades ou planos. Na fé cristã, muitas respostas demoram, portas se fecham e o desânimo bate – mas é na constância e na entrega que o caráter é moldado e a fé cresce. Persistir revela dependência do Senhor e disposição para ser surpreendida pelo que Ele fará, mesmo que não seja como esperávamos.
