Adolescentes, muitas vezes, enfrentam julgamentos injustos. Não são poucos os que os rotulam de preguiçosos, desinteressados ou “perdidos no celular” pelos mais velhos. Mas eu olho além dessa lente. Vejo jovens curiosos, dedicados, ávidos pelo novo quando sentem apoio e orientação. As férias de verão são um campo fértil onde a experiência dos adultos pode trazer grandes frutos. A sabedoria é um bem que se compartilha. “A sabedoria é a coisa principal; adquire, pois, a sabedoria; emprega tudo o que possuis na aquisição de entendimento” (Provérbios 4:7). Os pais precisam ser guias da nova geração, plantando decisões que geram bem-estar, propósito e proteção, assim como oriento no meu livro devocional “Virtuosa”, que nasceu do desejo de ver transformação de dentro para fora.
Por que é importante evitar certos erros nas férias?
Férias não são só tempo livre; são canais de transformação, de fortalecimento de virtudes e de cura de medos. No entanto, o ambiente das férias pode facilmente virar território de armadilhas que prejudicam adolescentes. Compartilho aqui os cinco erros principais que percebo, como mãe, mentora e autora, que os adolescentes precisam evitar para aproveitar uma vida mais saudável, equilibrada e cheia de sentido, seja você pai, mãe ou própria adolescente.
1. Descuidar do aprendizado: o risco do “summer slide”
O tal do “summer slide” assusta educadores no mundo inteiro. Estudos apontam que, durante o longo recesso escolar, notas em leitura e matemática costumam cair. Eu mesma já vi pais reclamando que seus filhos esquecem conceitos básicos até o retorno às aulas. E não é só impressão: pesquisas confirmam essa tendência ano após ano.
Como combater? Não precisa “enfiar” conteúdos escolares goela abaixo. O segredo está nos estímulos leves, lúdicos e conectados aos interesses do jovem:
- Incentive hobbies que exijam raciocínio ou criatividade.
- Sugira cursos online de temas que despertem paixão: idiomas, fotografia, tecnologia, música.
- Visitem juntos bibliotecas, workshops, oficinas artísticas ou clubes de livro.
- Estabeleça horários curtos e regulares para momentos de aprendizado em casa, sem cobranças exaustivas.
- Inclua na rotina pequenas tarefas que ensinem finanças pessoais, planejamento e decisões adultas.
A vida adulta exige habilidades, e as férias são ótimos momentos para introduzi-las, de maneira leve e prazerosa. Não deixe o verão passar sem bons aprendizados!
2. Isolamento social: um perigo silencioso
O isolamento foi um dos grandes traumas dos últimos anos. Ainda sinto os reflexos disso em jovens e adolescentes ao meu redor. A convivência é fundamental para prevenir ansiedade e depressão, e retomar encontros presenciais é urgente.
Pode parecer “brega” aos olhos adolescentes, mas reforço: experiências em grupo renovam ânimo e fortalecem vínculos.
Conversar, rir, dividir um passeio, tudo isso cura e protege o coração.
- Pergunte com quem eles gostariam de passar um tempo e incentive esses encontros.
- Organize momentos em família, mesmo que simples: jogos de tabuleiro, filme, ou um piquenique.
- Aproveitem juntos parques, praias, museus, shows e oficinas – toda experiência conta.
- Pais, participem! Não tenham medo de serem “cafonas”, sua presença é insubstituível.
No “Virtuosa”, falo muito sobre como comunidades saudáveis moldam nosso caráter. O adolescente bem acompanhado cresce mais seguro e preparado para a vida adulta.

3. Uso excessivo das telas: o verão não cabe numa tela
É impossível falar com pais de adolescentes sem abordar o uso desenfreado de celulares, tablets e computadores. Segundo o relatório da Escuta Nacional sobre crianças, adolescentes e famílias, o tempo exagerado diante das telas está ligado a distúrbios de concentração, sono, ansiedade, agressividade e exposição precoce a conteúdos impróprios, além de roubar o tempo da convivência e da atividade física (relatório da Escuta Nacional). Aliás, não são poucos os pais tentando “tirar o filho da tela” e ouvindo protestos em troca.
Minha sugestão, baseada em experiências reais, é estabelecer regras claras, e explicar o porquê de cada uma:
- Limites diários de tempo para lazer digital, com avisos prévios.
- Monitoramento de conteúdos e uso de filtros apropriados para cada faixa etária.
- “Horas offline” programadas, em que todos na casa desligam aparelhos para aproveitar o convívio ou o silêncio.
Uso desregulado da tecnologia tira tempo de coisas que realmente importam e pode abrir portas para conteúdos tóxicos. Por isso, cito os conselhos bíblicos de 1 Pedro 5:8 (“Sede sóbrios; vigiai...”) e Efésios 5:16 (“Aproveitando o tempo, porque os dias são maus”).
O verão não cabe numa tela. E a mente precisa de descanso e filtro.

4. Lotar a agenda: o valor do descanso e do tédio
Vejo muitas famílias tentando compensar a ausência do ano letivo “lotando” as férias de cursos, passeios, viagens e cursos rápidos. O excesso de estímulo, porém, pode ser tão prejudicial quanto o isolamento. O tédio é uma semente de criatividade e o descanso é sagrado até na Bíblia. O adolescente precisa de momentos de pausa para reorganizar pensamentos e emoções.
- Reserve dias sem compromissos estruturados.
- Estimule momentos de leitura leve, contemplação ou oração silenciosa.
- Permita que seu filho se “entedie” e espere que ele descubra o que gosta de fazer, sozinho ou em grupo.
No “Virtuosa”, dou vários exemplos de como a excelência vem do equilíbrio cotidiano, e não do excesso de obrigações. Descansar o corpo e a mente é parte do crescimento saudável, e não um desperdício de tempo.
5. Sedentarismo: mexa-se!
Durante a pandemia, o sedentarismo cresceu em toda parte e os índices de obesidade entre adolescentes aumentaram. Sei por relatos próximos e também por experiência própria: a energia diminui, o ânimo despenca e a autoestima fica abalada.
Movimento não precisa ser imposto, nem virar um sofrimento. Abaixo, compartilho algumas ideias para mexer o corpo e se divertir:
- Caminhadas em família nos fins de tarde.
- Treinos em casa com vídeos gratuitos ou aplicativos de ginástica.
- Atividades nos centros esportivos do bairro ou academias que abrem as portas para adolescentes no verão.
- Trocar o elevador pela escada, passear com pets ou organizar pequenas brincadeiras ao ar livre.
Mover o corpo faz bem para a alma e para o coração. Pode ser divertido e fortalecer laços familiares! O verão pode (e deve) ser a oportunidade de desenvolver novos hábitos saudáveis, tanto fisiológicos quanto emocionais.
Conclusão
As férias não são inimigas do propósito; pelo contrário, são o palco perfeito para despertar virtudes, fortalecer família e amadurecer decisões. Com orientação, vigilância amorosa e sabedoria, adolescentes podem descobrir novas paixões e viver momentos únicos, driblando armadilhas comuns do verão. Como reforço no livro “Virtuosa”, o processo de crescimento é feito em etapas, com coragem e propósito, e a juventude, quando bem acompanhada, pode florescer com força renovada.
Se você quer se aprofundar mais sobre transformação pessoal e sobre como o autoconhecimento pode revolucionar sua própria rotina (e a dos que estão à sua volta), conheça o devocional “Virtuosa”. Te convido a nos conhecer melhor, e viver um verão diferente!
Perguntas frequentes
Quais são os erros mais comuns nas férias?
Os erros mais comuns são: perder o ritmo de aprendizado (summer slide), isolamento, uso excessivo de tecnologia, agenda sobrecarregada e sedentarismo. Prevenir esses erros torna as férias mais prazerosas e enriquecedoras.
Como evitar desperdício de tempo nas férias?
O segredo está em equilibrar descanso com pequenas metas pessoais e familiares. Incentive o aprendizado leve, limite o tempo de tela e inclua atividades físicas e momentos de conexão em grupo.
O que fazer para não se arrepender depois?
Planeje um verão variado: um pouco de estudo, bastante convivência, descanso real e atividades que tragam movimento e alegria. Assim, quando as aulas voltarem, haverá boas lembranças e pouca culpa por “tempo perdido”.
Como manter uma rotina saudável nas férias?
Estabeleça horários flexíveis, mas não abandone totalmente as rotinas. Inclua momentos de alimentação saudável, sono suficiente, atividades físicas e lazer offline, sem esquecer os encontros em família e amigos.
É importante planejar as atividades de verão?
Sim, planejar faz toda diferença! O planejamento evita excessos, lacunas de tédio destrutivo e conflitos domésticos. O segredo é não encarar o planejamento como rigidez, mas como um guia para aproveitar melhor as oportunidades que surgirem durante o período.
