Eu amo começar o Domingo de Páscoa com a passagem de João 20:19. Para mim, aquele momento em que Jesus ressuscitado aparece aos discípulos e diz: “Paz seja com vocês” tem poder de acalmar qualquer coração, inclusive o meu. A Páscoa, para nós cristãs, é antes de tudo esse convite à paz, mesmo quando tudo ao redor parece correr numa maratona colorida de listas, encontros, eventos de igreja ou aquela sensação de “não dou conta de tudo!”. Seja sozinha, rodeada de família ou até no trabalho, reconheço que nem sempre esse dia é calmo.
Planejando (ou não) o Domingo de Páscoa
Sempre que a data se aproxima, vejo mulheres por todo lado divididas entre listas de mercado para bacalhau, chocolates e ovos, crianças animadas e aquela sensação: será que vai dar tempo de tudo? No hemisfério norte, a Páscoa chega junto com a primavera, então imagine só: casas decoradas de flores, pastéis, cestas fofas e um clima alegre. Já aqui, o nome “Páscoa”, mesmo sem ser um feriado citado literalmente na Bíblia, tomou conta da nossa celebração e, em toda parte, virou sinônimo de reunião, expectativa e um consumo alto de chocolates (confirmado por pesquisas sobre o consumo brasileiro).
Às vezes, confesso, a tradição pesa. Montar cestas, esconder ovos, comprar chocolates para os filhos (como fiz muito quando eles eram pequenos) me ocupava o corpo, mas nem sempre unia o coração da família. Misturamos coelhinhos, caça aos ovos, doce, missa ou culto – tudo na esperança de que a data seja especial. Mas quantas vezes se transforma em estresse, não é?

Entre tradições cristãs e dilemas modernos
Hoje, aceito as contradições desse mix cultural que é a Páscoa. Já me senti sobrecarregada ao tentar unir todos os detalhes – festa, igreja, lembrancinhas – com o desejo de viver a fé no centro. E muitas vezes falhei. Mas mesmo assim, vejo sentido nas formas tão diferentes de celebrar.
- Tem quem acorde cedo para a missa do nascer do sol;
- Quem serve cestas nos hospitais, levando conforto para doentes;
- Quem passa a data sufocado em uma igreja cheia e ainda assim sente falta do silêncio;
- Quem participa de desfiles com chapéus extravagantes, numa explosão de cor e alegria;
- Ou quem simplesmente cozinha para muita gente, mesmo sem sentir o coração em festa.
Costumes não cristãos, como coelhinhos e caça aos ovos, facilmente se misturam ao momento de fé. E sabe de uma coisa? Mesmo quando tudo parece bagunçado, celebrar a ressurreição de Jesus é um lembrete vivo: Ele traz paz no meio do caos.
Vejo a missão da mulher cristã – tão bem retratada nas páginas do livro “Virtuosa” – como esse olhar que une propósito, fé e coragem para celebrar a vida, mesmo entre listas e distrações. Aliás, falo muito disso na minha caminhada enquanto autora, mentora e, acima de tudo, seguidora de Jesus, onde entendi que virtudes se despertam na dor e se manifestam no cuidado com o próximo.
O convite de Jesus: paz em meio à confusão
Quando leio João 20:19, sinto um desafio pessoal. Jesus não ordenou listas, eventos perfeitos, roupas impecáveis. Ele olhou para os discípulos ansiosos e simplesmente ofereceu paz. O maior presente da ressurreição é a liberdade do medo e da dúvida. João 14:27 repete esse convite: “Deixo a vocês a paz; a minha paz dou a vocês... não se perturbe o coração de vocês, nem tenham medo”.
Essa é a voz que tento ouvir por cima dos convites sociais, preocupações com o almoço ou expectativas de comportamento. Lembro, com humildade, que minha relação com Deus não depende de desempenho, mas do amor que Ele derramou através de Jesus.

Celebrando de diferentes formas – e sentindo a presença
Já experimentei Páscoas abundantes, outras em que a mesa parecia pequena, e também aquelas em que precisei de paz mais do que qualquer presente material. Aprendi, inspirada por experiências relatadas no livro “Virtuosa”, que não há jeito certo ou obrigação de celebrar o Domingo de Páscoa. O que importa é abrir espaço para a paz interior e deixar que o essencial floresça. Se a rotina estiver puxada, busque aquilo que te conecta ao real sentido dessa data – seja a leitura de um devocional, uma oração genuína, ou simplesmente estar presente, mesmo no silêncio.
Por exemplo:
- Se você está sozinha, abrace o silêncio e permita-se um tempo só seu com Deus.
- Se está no hospital, foque em pequenos gestos de esperança.
- Se a casa estiver cheia, celebre os encontros, mesmo imperfeitos.
- Se estiver trabalhando, lembre que servir ao outro é também uma forma de adorar.
No fundo, cada escolha pode ser um sinal de fé e de vida renovada.
Quando as exigências tiram a paz…
Com o tempo, compreendi que cobrar de mim mesma roupas impecáveis, filhos comportados, pratos impecáveis e orações perfeitas só me tiravam a alegria do momento. Jesus nunca exigiu perfeição, apenas pediu confiança e entrega. E aceitar a ressurreição é também aceitar essa liberdade. Quando a ansiedade aparece, lembro do conselho comum às mulheres virtuosas: "Não faça tudo de uma vez".
Dou comigo mesma passos práticos:
- Reduzo expectativas;
- Digo não quando preciso;
- Relembro o porquê de estarmos juntas, e não apenas o “como”;
- Peço a Deus para me lembrar que minha presença é mais importante que minha performance.

A oração da mulher que busca paz
Meu Deus, não permita que listas e obrigações tirem de mim a Tua paz. Ajuda-me a ressuscitar a tranquilidade em meu coração e a não me preocupar se tudo vai sair como planejei. Que a paz de Jesus cumpra sua promessa aqui, hoje. Amém.
Esse simples momento de oração me ajuda a alinhar expectativas e relembrar que, não importa o cenário, a promessa é de paz. E é assim que consigo, mesmo quando tudo não sai como esperado, viver o Domingo da Páscoa como dia de ressurreição da esperança.
Para quem busca acolhimento (e um recurso extra cheio de graça)
Eu também encontro grande leveza em recursos que me lembram que Deus é mais gentil do que consigo imaginar. Recomendo, de forma leve e descontraída, o episódio “What If God’s Heart Toward You Is Kinder Than You Think?” do podcast Talk About That. Ali são compartilhadas histórias reais, dúvidas e risos – sempre trazendo à tona que a aceitação de Deus não depende de desempenho, mas de Seu amor e carinho incondicionais. Às vezes, tudo o que precisamos é ouvir que está tudo bem sermos frágeis, que as dúvidas podem fazer parte, e que a busca por paz é um caminho a ser trilhado diariamente.
Conclusão
Viver um Domingo de Páscoa em paz não exige perfeição, mas sim abertura ao presente de Jesus. Aceitar a calma no meio da correria, aprender com a experiência e dar espaço para a fé florescer são escolhas possíveis a cada nova celebração. Se você quiser compartilhar como sente a presença de Jesus neste dia, ou como lida com expectativas, escreva, converse, acolha outras mulheres. Afinal, juntas, como mulheres virtuosas, podemos inspirar legados de esperança, fé, coragem e verdadeira paz.
Se seu coração deseja mais dessa caminhada de identidade em Deus e renovação de fé, aproveite para conhecer melhor o devocional "Virtuosa", um presente feito para transformar e fortalecer mulheres cristãs nessa jornada interior.
Perguntas frequentes
Como organizar um Domingo de Páscoa tranquilo?
Eu sugiro definir poucas prioridades, ajustar expectativas e lembrar-se do que realmente importa: celebrar a paz e a ressurreição de Jesus. Se possível, delegue tarefas, envolva a família e simplifique o cardápio e a decoração. Reserve um tempo para orar e meditar, permitindo que a calma faça parte do seu dia. Use o exemplo da mulher virtuosa, que organiza com diligência mas sabe valorizar a paz acima do perfeccionismo.
O que significa a Páscoa para cristãs?
Páscoa, ou Domingo da Ressurreição, é o momento de recordar o sacrifício de Jesus e renovar a fé na vida nova que Ele oferece. Para mim, é também um convite à paz verdadeira e à superação do medo e da dúvida, como ensina o próprio Cristo nos Evangelhos.
Como envolver a família na celebração?
Você pode incluir todos nos preparativos (mesmo os pequenos), dividir momentos de leitura bíblica ou devocionais, fazer juntos uma oração de gratidão e permitir que cada um compartilhe um motivo de alegria. O mais importante é criar conexões reais, sem cobranças sobre comportamentos ou formalidades.
Quais atividades cristãs fazer no domingo?
Além do culto ou missa, considere momentos de reflexão pessoal, leitura de devocionais como “Virtuosa”, orações em família, ou até gestos de serviço ao próximo, como visitar alguém que precisa de conforto ou enviar mensagens de esperança.
Como lidar com estresse no Domingo de Páscoa?
Lembre-se do convite de Jesus: “Paz seja com vocês”. Respire fundo, aceite que a perfeição não é o objetivo e confie que sua presença é o maior presente. Se sentir ansiedade, pare um momento, ore e busque um devocional. Estar aberta para a presença de Deus é um gesto de amor por si mesma e por todos ao seu redor.
