Eu me lembro exatamente do sentimento ao ver minha filha chegar chorando em casa. A cada tarde, ela voltava da escola magoada e abatida, pois tinha perdido uma amiga muito querida. O motivo? Pequenos conflitos diários, que rapidamente evoluíram para gestos e palavras dolorosas: o bullying silencioso, feito muitas vezes por quem menos esperávamos. Como mãe, doeu perceber o quanto minha filha estava machucada. Mais difícil ainda era lidar com minha impotência: já havia tentado conversar, e até perdoado repetidos comportamentos da outra mãe, mas não via mudança real. Chega um momento em que o perdão não significa ignorar o que nos fere.
Amar, perdoar e ser gentil não são sinônimos de aceitar abusos emocionais. Também não se trata de ficar em silêncio quando o sofrimento bate à porta. Acredito que “amar como Jesus amou” não significa passar a mão no erro, e sim responder com verdade, compaixão, coragem e perdão.
Amar, perdoar e colocar limites: o equilíbrio é bíblico
Quando estudamos a vida de Jesus, percebemos que ele pediu que amássemos até nos relacionamentos mais difíceis. No entanto, “amar não é permitir que o coração endureça pela mágoa, tampouco deixar que o outro perpetue o erro” (João 15:12). Existe o amor que acolhe, mas também o amor que corrige. Limites não diminuem o perdão, mas o tornam verdadeiro: eles dão espaço para a cura e demonstram valor próprio e respeito ao próximo.
“Perdão pode ser imediato, reconciliação não. Ela exige mudança, sabedoria e tempo para curar.”
Eu vivi essa verdade. Após meses de conversas, decidi conversar com a mãe da amiga que magoava minha filha. Falei do sofrimento, estabeleci novos limites e expliquei que a amizade não poderia continuar da mesma forma, já que não havia remorso, nem desejo de mudança. Muitas vezes, afastar-se é a escolha mais amorosa, pois só Deus pode transformar corações. Em certos casos, separar do convívio é necessário até mesmo de quem se ama para que exista paz e restauração verdadeira.
Perdão e limites em situações de bullying: como agir de forma prática
As perguntas mais comuns que recebo, tanto no devocional "Virtuosa" quanto nas conversas com mães e filhas, são:
- “Amar o próximo significa aceitar bullying?”
- “Perdoar é o mesmo que reconciliar?”
- “Como ensinar minha filha a ser gentil sem ser submissa?”
Não! Gentileza também é coragem. Falo isso baseada em experiências pessoais e no que ensino às mulheres que acompanham o projeto Wanessa Nery Guedes. Em João 14:27, Jesus diz: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá.” Paz verdadeira é fruto de limites claros e de um coração saudável, pronto para perdoar, mas não para se machucar sempre.
Colocar limites é essencial. Os limites ensinam à criança que ela pode ser gentil, sim, mas nunca deve aceitar agressões. Tanto adultos quanto colegas de escola precisam aprender que ninguém pode continuar ferindo o outro – nem por “amizade”. Estabelecer limites claros é sinal de amor por si e pelo próximo.
- Falar a verdade com amor: Dizer como se sente e o que não aceita mais.
- Buscar ajuda: Procurar professores, conselheiros ou responsáveis sempre que o bullying persistir.
- Distanciar-se: Proteger suas emoções e construir novas amizades saudáveis.
- Orar e confiar em Deus: Entregar a dor e buscar consolo divino, como ensinam Mateus 7:7 e Colossenses 3:12.

A força para agir, limitar e perdoar vêm do alto. “Como mãe, precisei aprender que gentil não é submissa e que não abro mão do que minha filha sente só para manter aparências.”
Bullying dói e deixa marcas, mas não define quem você é
Em 2024, pesquisas mostram que 27,2% dos estudantes brasileiros entre 13 e 17 anos relataram ter sido ofendidos ou feridos repetidamente por colegas, sendo as meninas as mais afetadas (dados do IBGE - PeNSE 2024). O bullying é real e, se não enfrentado, gera solidão, sintomas emocionais e até problemas escolares (dados do INEP).
Nos Estados Unidos, segundo a CDC, 19% dos alunos do ensino fundamental e médio sofreram bullying em 2021-2022. No Brasil, 12,7% dos adolescentes já vivenciaram cyberbullying, índice maior entre meninas. Esses números mostram como é urgente enfrentar o problema de frente, e não minimizar na esperança de que mude sozinho (veja os dados aqui).
Mentalidades como “isso é coisa de criança” ou “só estão brincando” só alimentam o ciclo da dor. Ensinar perdão não significa ensinar a suportar abuso, e sim a separar o valor da pessoa do erro do comportamento. Todos têm valor, mas ninguém tem direito de continuar ferindo o outro.

Conversas difíceis: exemplos bíblicos de assertividade e cuidado
Na Bíblia, limites e perdão caminham juntos. Jesus acolhe a mulher samaritana, mas não silencia sobre seus erros (João 4:1-42). Em Colossenses 3:12, aprendemos a vestir-nos "de compaixão, bondade, humildade e paciência", mas sempre junto da verdade. Eu precisei conversar com a família da colega: expliquei a dor, estabeleci limites, pedi mudança. Não houve mudança e precisei afastar minha filha, apesar do amor. Só Deus pode mudar corações. Muitas vezes, a ruptura temporária abre espaço para a verdadeira cura.

Em momentos assim, é necessário buscar apoio. O site americano StopBullying.gov orienta que adultos e colegas devem ouvir, acolher e relatar. Ajudar tanto quem sofre quanto quem pratica bullying é fundamental: todos precisam de atenção, mas ninguém deve aceitar agressões como norma. Gentileza também é assertiva. Significa ser firme para dizer “isso não está certo”, se afastar, pedir socorro e buscar amizades verdadeiras.
Quando a cura vem da dor: fé, superação e testemunho
Lembro do batismo da minha filha. Em seu depoimento, ela contou como Jesus a ajudou a perdoar e superar a dor causada por aquela amiga. Foi emocionante perceber o quanto Deus usou uma fase difícil para despertar, curar e construir virtudes. Experiências como esta se refletem em cada página do devocional "Virtuosa". O propósito é nos moldar para impactar o mundo ao nosso redor, com base na fé, amor e coragem de viver o perdão e os limites sadios.
Ensinar perdão é ensinar verdade, coragem, amor e limites. Crescimento espiritual não nasce quando está tudo bem, mas nos momentos de dor e superação. E é nesses momentos que deixamos um legado duradouro de fé, virtude e sabedoria.
Conclusão
Ser gentil exige coragem. Colocar limites, perdoar e buscar cura é o caminho para proteger quem amamos e dignificar cada história. Meu convite, como autora e mulher de fé, é para que cada mãe, filha, amiga ou educadora conheça o projeto Wanessa Nery Guedes e o devocional "Virtuosa". Que juntas, possamos trilhar uma jornada de autodescoberta, fé e superação. Dê esse passo, fortaleça sua identidade e sua missão: viva os princípios bíblicos com coragem, amor e verdade.
Perguntas frequentes
O que é bullying entre amigas?
Bullying entre amigas ocorre quando há repetidos comportamentos de humilhação, exclusão, ironias, fofocas ou agressões (físicas ou emocionais) de uma ou mais amigas contra outra, rompendo o vínculo de confiança e respeito. Muitas vezes, essas atitudes partem de quem era próximo, tornando a dor ainda maior e mais confusa. O bullying abala a autoestima e as relações sociais e pode ser silencioso, por acontecer no círculo íntimo.
Como ensinar limites saudáveis para crianças?
Ensinar limites saudáveis envolve diálogo aberto, exemplo prático dos pais e responsáveis, incentivo à comunicação assertiva e valorização do respeito mútuo. Dizer “não” quando necessário, explicar as motivações por trás dos limites e apoiar a criança a identificar sentimentos e emoções são atitudes fundamentais. Recomendo incentivar a pedir ajuda, afastar-se de relacionamentos tóxicos e fortalecer a construção de novos laços seguros, como menciono no devocional "Virtuosa".
Quando perdoar em casos de bullying?
O perdão é um processo que pode ser imediato no coração, mas a reconciliação e a reaproximação só são possíveis quando há mudança de atitude, arrependimento e disposição para reparar o erro. Em casos de bullying, o perdão ajuda a libertar-se do ressentimento, sem compactuar com o erro. Afaste-se se necessário, mas libere a mágoa. A cura só acontece quando colocamos limites e buscamos paz interior.
Como conversar sobre bullying com crianças?
A melhor maneira é criar espaço seguro para o diálogo, ouvir atentamente e validar os sentimentos da criança. Utilize exemplos simples, explique o que é bullying, mostre que pedir ajuda não é fraqueza e reforce que ninguém merece ser maltratado para manter amizades. Use exemplos bíblicos ou histórias que inspirem coragem e fé, assim como faço no projeto Wanessa Nery Guedes e no livro devocional "Virtuosa".
Qual a diferença entre perdão e permissividade?
Perdão é libertar o coração da amargura e do desejo de vingança, confiando a Deus o papel de restaurador. Permissividade é nunca colocar limites, abrindo espaço para a repetição do erro. É possível perdoar e, ao mesmo tempo, dizer “basta” a comportamentos prejudiciais. Perdoar não é ser cúmplice do erro, mas afirmar o valor que cada um tem sem aceitar agressões contínuas.
