Vejo muitos adultos reduzindo adolescentes a rótulos injustos. "Diferentes", "rebeldes", "inquietos". Será mesmo que essa imagem dos jovens é justa? Em minha experiência acompanhando mães, mulheres e famílias, observo adolescentes criativos, prontos para o trabalho e questionadores. Eles são líderes em potencial. Mas, para florescerem, precisam de alguém sábio ao lado, não para controlar, mas para orientar. Se apoiarmos o adolescente durante as férias, conectando sabedoria e propósito, todos ganham. E oriento esse olhar inspirado até mesmo em Provérbios 4:7, que nos recomenda buscar sabedoria e entendimento. Eu acredito nisso profundamente, e convido você a pensar diferente sobre o tempo livre dos jovens.
O objetivo não é ocupar cada minuto com obrigações. O que desejo transmitir é o equilíbrio entre descanso, aprendizado, diversão e atividades que edificam mente, corpo e espírito. Principalmente para quem quer construir virtudes, como convido no meu livro Virtuosa.
1. Ignorar o “summer slide” e a importância de manter a mente ativa
Muitos pais acreditam que as férias devem ser sinônimo de ausência total de estudos. Mas faz sentido “desligar” o cérebro? Vi em pesquisas (e também em casa) que o chamado “summer slide”, ou “brain drain”, existe de verdade. Estudos mostram que, após as férias de verão, estudantes tendem a apresentar queda significativa nas notas de leitura e matemática. Isso foi constatado de forma bem clara numa pesquisa publicada na revista CoDAS, especialmente entre alunos do 2º ao 5º ano, salvo quando mantinham práticas de leitura em casa. Ou seja, a pausa prolongada pode fazer a aprendizagem regredir (veja esse estudo).
Repare: aprender nas férias não tem que ser igual à escola.
O segredo está em adaptar o aprendizado aos interesses do adolescente:
- Aulas virtuais rápidas sobre temas que ele gosta.
- Hobbies com um toque de pesquisa ou criação.
- Clubes de leitura ou desafios em bibliotecas.
- Preparação para vestibular sem pressão, como simulações e revisões leves.
- Aprender algo útil, como abrir uma conta bancária ou pegar dicas de direção.
Na minha casa, por exemplo, minha filha decidiu fazer um curso online de matemática em meio às férias. Isso foi por curiosidade de resolver novos desafios, não por obrigação. E notei o quanto ela voltou para as aulas mais segura. Experimente propor atividades assim em família!

2. Minimizar o impacto emocional e social do isolamento
O período da pandemia afetou a saúde mental de todos, mas nos adolescentes, deixou marcas profundas. Me acostumei a ouvir relatos de ansiedade, solidão e até depressão. Um levantamento nacional mostrou que, durante a pandemia, 65,6% dos adolescentes apresentaram sintomas de ansiedade e 55,8% de sintomas depressivos (segundo pesquisa da Revista Brasileira de Atividade Física & Saúde). O aumento dos sintomas depressivos também foi relatado em estudos globais (JAMA Pediatrics).
Conexão cura; afastar machuca.
O verão é o melhor momento para criar memórias que nutrem laços familiares e amizades. Sugiro que os pais e responsáveis estimulem:
- Encontros pequenos com amigos (em casa ou em ambientes ao ar livre).
- Passeios em família, praia, sorveteria, parque, museus, shows locais, exposições.
- Participação direta em experiências até fora da zona de conforto dos adultos.
É esse tipo de atitude, muitas vezes sugerida no Virtuosa, que planta sementes de confiança e autoestima, para florescer no tempo certo. Mesmo que, como adulto, algum passeio não seja sua preferência, o mais valioso é estar presente para criar lembranças juntos.
3. Excesso de tempo de tela: riscos e como orientar
Adolescentes atuais já nasceram conectados. É parte da realidade deles, tablets, smartphones, streaming, redes sociais. Mas consumir telas sem parar pode trazer problemas reais: perder tempo precioso, acessar conteúdos prejudiciais, dormir mal e até perder eventos importantes da “vida real”. Ouço mães dizendo “não aguento mais tanto celular”. O problema não é o aparelho em si, mas a falta de equilíbrio.
A minha sugestão, que sempre trago da experiência e dos princípios bíblicos, como 1 Pedro 5:8 (“sede sóbrios e vigilantes”) e Efésios 5:16 (“remindo o tempo porque os dias são maus”), é:
- Estabelecer limites claros para horários de uso.
- Usar controles parentais, sim, mas com diálogo.
- Ensinar o “porquê” dos limites: autogoverno e respeito próprio.
- Propor dias ou períodos desconectados, preenchendo com outras experiências.

Trago sempre isso nos meus aconselhamentos: regras sem relacionamento geram rebeldia, mas limites com propósito inspiram maturidade.
4. Querer preencher cada minuto e não valorizar o descanso
Muitos cuidadores acham que férias precisam ser “turbo” de atividades. Um erro comum é criar agendas cheias de cursos, passeios, viagens, como se o tédio fosse inimigo. Aprendi, na vivência e até na própria Bíblia, que descanso também tem propósito! Se algum adolescente repetir o bordão “tô entediado”, não se assuste. Normalize o tédio.
O ócio pode ser a incubadora da criatividade e do autoconhecimento.
Permitir pausas é essencial. Sugira momentos de relaxamento real:
- Sessões de meditação ou oração curtinhas.
- Tempo para ouvir música, desenhar, escrever, pensar.
- Deixar espaço para não fazer “nada”, a mente e as emoções precisam disso.
O livro Virtuosa fala sobre esse equilíbrio: o cuidado com o corpo e o espírito andam de mãos dadas. Até o sono e o tempo para desligar são dons preciosos para restaurar nossa juventude interior e nossa força para o amanhã.

5. Sedentarismo e riscos para a saúde
Em tempos recentes, percebi em diversos lares a preocupação com a falta de movimento dos adolescentes. O aumento dos índices de obesidade juvenil durante a pandemia acendeu um alerta. A imobilidade, muitas horas sentados, sem contato com atividades ao ar livre, prejudica corpo, mente e alma. Vi muitas mães, inclusive na minha atuação com o Virtuosa, angustiadas sobre como incentivar o movimento.
O segredo é dar opções variadas e leves, sem imposição de um “padrão fit”:
- Caminhadas em grupo pelo bairro, combinando com amigos ou familiares.
- Treinos curtos juntos em casa; há diversos aplicativos próprios para adolescentes.
- Centros comunitários, quadras esportivas do bairro ou atividades gratuitas de academias.
- Propostas criativas, como trilhas, jogos no parque, pedaladas, aulas de dança ou esportes aquáticos.
Trago isso do meu dia a dia: onde há exemplo, há engajamento. E onde há incentivo e alegria, o adolescente vai querer participar. Vale mais um convite do que uma ordem.
Conclusão
As férias dos adolescentes carregam um potencial de transformação. Digo isso como alguém que já viu muitos jovens florescerem quando receberam atenção equilibrada, liberdade e sabedoria. Pais e cuidadores, não tenham medo de conduzir: basta olhar com empatia, propor caminhos e ser presença atenta. Assim, evitam-se erros, perigos e desperdício do verão mais marcante da vida de um jovem.
Encorajo você a conhecer a proposta do livro devocional Virtuosa. Nele, convido mulheres a fortalecerem sua identidade e virtudes com base na fé cristã e em experiências reais, trazendo princípios que podem inspirar todas as fases da família. Sinta-se à vontade para conversar comigo ou minha equipe para ideias, dúvidas ou adquirir seu exemplar, quero ajudar você a viver um verão de significado!
Perguntas frequentes
Quais são os principais erros nas férias?
Costumo observar que os mais comuns são: deixar o adolescente totalmente ocioso, ignorar a saúde mental, excesso de tempo de tela, sedentarismo e buscar agendas lotadas sem momentos de descanso. Cada um deles pode comprometer o crescimento e o bem-estar do jovem, como já detalhei neste artigo.
Como ajudar adolescentes a aproveitar melhor?
O mais importante é equilibrar liberdade e orientação, incentivar experiências que promovam aprendizado leve, funções familiares, relacionamentos positivos e práticas saudáveis de autocuidado e espiritualidade. Orientar, sem sufocar, permite ao adolescente explorar virtudes e dons, como mostro no Virtuosa.
O que evitar nas férias de adolescentes?
Evite jornadas sem objetivo, excesso de telas, isolamento social, rotina sedentária e cobranças exageradas. Também não é indicado preencher cada minuto com obrigações ou esperar que os adolescentes saibam se autorregular sozinhos sem apoio e limites saudáveis.
Como incentivar hábitos saudáveis nas férias?
Sugiro que adultos inspirem pelo exemplo: convide para passeios a pé, cozinhe receitas saudáveis, pratique juntos esportes leves, proponha momentos de autocuidado e aproveite oportunidades para conversas sobre saúde mental e espiritualidade. O mais valioso é a presença atenta e o incentivo contínuo.
Quais atividades são recomendadas nas férias?
Atividades variadas: clubes de leitura, desafios de escrita, cursos online curtos, caminhadas, esportes em grupo, sessões de arte, encontros ao ar livre, programação em família e, claro, muito tempo equilibrado para descanso e autoconhecimento. O essencial é que sejam experiências positivas que desenvolvem virtudes e vínculos para a vida toda.
