Quando recebi o diagnóstico de uma doença autoimune, um turbilhão de lembranças envolvendo minha mãe tomou conta do meu coração. Quase dez anos desde sua partida, e ainda assim, em meio ao medo e à fragilidade, meu primeiro impulso foi de buscar o seu colo, como se ela pudesse resolver tudo de novo. A figura materna é essa âncora da infância: representa proteção, conforto imediato, segurança diante de qualquer tempestade. Não importa o quanto crescemos, frequentemente o coração anseia por essa mesma proteção diante dos desafios inesperados.
Recordo-me com clareza do período em que, na adolescência, fui internada em um hospital, afetada por complicações causadas por um transtorno alimentar. Minha mãe, mesmo enfraquecida pela insuficiência cardíaca, permaneceu ao meu lado como um verdadeiro pilar, cuidando de mim, me erguendo, sendo forte quando eu já não conseguia ser. O amor materno, percebi ali, muitas vezes é vivido em atitudes, mais do que em palavras. Apesar de nossas diferenças, ela estava lá – e aqueles gestos me mostraram um amor real, prático, incondicional.
A ausência da minha mãe trouxe marcas profundas. O luto materno parece criar espaços que nunca mais voltam a ser ocupados. Desenvolvi transtorno obsessivo-compulsivo do tipo contaminação, vivi episódios de depressão, e a saudade continuou a se manifestar nos detalhes mais simples do cotidiano.
No entanto, em meio a toda essa dor, foi a minha fé que se tornou um abrigo silencioso. Passei a encontrar acolhimento, calma e força na intimidade com Deus. Oração, leitura da Bíblia e a certeza de que o Senhor jamais me deixaria sozinha foram fundamentais quando as madrugadas eram frias e silenciosas. Não há respostas fáceis, nem soluções instantâneas – mas existe uma esperança que floresce onde muitas vezes só se vê desamparo.

Sete passos de fé e cuidado emocional diante da saudade da mãe
Cada pessoa encontra seu próprio caminho para lidar com a saudade e o luto, mas algumas práticas podem proteger o coração e renovar as forças, inspiradas inclusive na jornada trazida no projeto Virtuosa, onde compartilho como a fé e a resiliência transformaram meu processo de cura.
- Permita-se sentir: a dor existe por um motivo. Fingir que não dói, que está tudo bem, não alivia o coração. Acolher a dor, reconhecer o vazio e entender que a saudade é uma parte legítima do amor vivido ajuda no início do processo de cura.
- Ore e busque em Deus um colo seguro.Com minha mãe ausente, confiei nas promessas que li nas Escrituras. O ato de orar e conversar com Deus, mesmo em meio a lágrimas, me ensinou que ali posso desabafar sem julgamentos.
Deus não se assusta com os nossos sentimentos, Ele nos acolhe.
O Espírito Santo é meu Consolador e me capacita para cada novo dia. - Cuide da saúde emocional: terapia é um ato de coragem.Procurei apoio psicológico quando a dor deixou de ser apenas saudade e se transformou em depressão. O processo terapêutico foi crucial para compreender o ciclo do luto, dar nome às emoções e encontrar estratégias para recomeçar.
- Valorize os bons momentos e construa memórias.Permito-me lembrar das qualidades da minha mãe, das coisas boas que vivemos. Essas memórias me aproximam dela e renovam a esperança de que o amor não acaba com a morte.
- Busque apoio familiar e comunitário.Conversar com familiares, abrir o coração para amigos e até buscar apoio em grupos pode tornar o fardo mais leve. Dividir a dor é o primeiro passo para superá-la.
- Volte-se para o propósito: sua história ainda está sendo escrita.Creio que, assim como compartilho no Virtuosa, Deus transforma nossas dores em fonte de força e testemunho. Minha mãe me ensinou muito sem palavras, porém com atitudes. Guardo isso como legado, direcionando-me a seguir em frente com esperança, fé e coragem.
- Reconheça a necessidade de ajuda médica quando necessário.No meu caminho, houve necessidade de assistência médica além da terapia, principalmente nos momentos em que a tristeza era incapacitante. Buscar suporte médico não significa fraqueza, mas sim responsabilidade com a própria vida.

Incluo aqui um breve comentário importante: para muitas mulheres, a dor da saudade se cruza com os desafios de quem cuida dos pais idosos enquanto ainda criou filhos pequenos, configuração conhecida como Sandwich Generation. Vi histórias como a de Wendy Jones, do Next Steps 4 Seniors, que mostra como estratégias práticas – como conversas francas, divisão de tarefas e incentivo ao envelhecimento saudável na família – ajudam a reduzir a culpa e promovem um ambiente de apoio para todos.
Por que adultos também precisam de suas mães?
Mesmo depois de crescidos, com casas, filhos ou até netos, resta algo em nós que busca o cuidado materno. Não existe idade limite para querer a proteção da mãe. A solidão do luto ensina que crescer não é deixar de precisar de colo. Cada pessoa encontra um jeito próprio de lidar com a ausência materna: uns choram, outros escrevem, muitos se silenciam. O fundamental é não negar esse sentimento, pois ele sinaliza o valor do vínculo construído por uma vida.

Ressignificar a saudade: um caminho possível
A saudade da mãe não desaparece, mas pode mudar de cor com o tempo. Independentemente dos sintomas, a Organização Mundial da Saúde mostrou que o luto prolongado precisa de atenção quando impede a retomada da vida funcional, podendo evoluir para transtorno mental caso não seja elaborado com apoio e cuidado segundo classificação da CID-11.
Olhando para minha trajetória e também para tantos relatos presentes no projeto Virtuosa, aprendo que, apesar da dor ser inevitável, a transformação é possível. Enquanto escrevo, relembro que a fé e a coragem são frutos que brotam em meio a desafios – e a jornada de cura é construída um dia de cada vez, com paciência e apoio.
Você não está sozinha nessa caminhada. Permita-se florescer, mesmo nos dias difíceis.
Conclusão
A saudade de mãe pode ser intensa, mas pode ser vivida com dignidade, fé e coragem. Em minha experiência, cada etapa desse caminho ensinou sobre resiliência, vulnerabilidade e esperança. Recomendo, do fundo do coração, que você se permita buscar suporte, seja espiritual, psicológico ou médico. Que o legado materno inspire você a ressignificar a dor e construir nova esperança. Se deseja aprofundar sua jornada de autodescoberta, indico conhecer o livro Virtuosa – disponível em versão física e digital, feito com carinho para te ajudar a encontrar propósito em Deus. Faça parte dessa história de fé e superação.
Perguntas frequentes sobre saudade de mãe
O que é saudade de mãe?
Saudade de mãe é o sentimento de falta, presença ausente e desejo de ter de volta o cuidado, afeto e proteção materna. Costuma ser acompanhado de lembranças, carinho e até de dor emocional, principalmente após a morte ou afastamento da mãe.
Como lidar com a saudade diariamente?
Cuidar das emoções, aceitar a saudade como parte do processo, buscar apoio espiritual e emocional, conversar com amigos ou familiares e lembrar dos bons momentos. Práticas diárias como oração, leitura bíblica e autocuidado também ajudam na construção de uma rotina mais leve.
A fé pode ajudar na saudade?
Sim, a fé pode ser um ponto de firmeza, paz e acolhimento em todo o processo de luto e saudade. O relacionamento com Deus proporciona não apenas uma esperança futura, mas também conforto aqui e agora.
Quais são os melhores conselhos para esse momento?
Reconheça a saudade, permita-se sentir, não tenha medo de pedir ajuda, valorize os bons momentos, encontre suporte em sua comunidade ou família e busque transformar a dor em um legado de amor e força – a mensagem central do projeto Virtuosa.
Quando procurar ajuda emocional profissional?
Se a saudade começa a impedir a retomada da sua vida cotidiana, surge como tristeza persistente, sintomas depressivos ou crises de ansiedade, é hora de buscar apoio psicológico e, se necessário, médico. Cuidar da saúde emocional é um ato de amor próprio e uma expressão concreta de fé na vida.
